Alexandre Pimentel
Estou decidido a toda vez que necessitar de hospital, antes sair de casa, convocar a imprensa de Brasília, todos os canais de televisão, rádio, sites e jornais, já que é comum nos depararmos com horrores de toda ordem, comuns à rotina de uma má gestão da saúde pública!
Parece que só o quarto poder impõe ao meio hospitalar o respeito necessário. O ideal seria transformarmos os hospitais públicos em reality shows e, ao invés de envenenarmos a população com big brothers da vida, monitorarmos ostensivamente, mostrando a todos o circo de horrores que este tipo de instituição representa praticamente em todos os sentidos. Esperar que todo cidadão escreva artigos como o meu, denunciando a pouca vergonha, o desrespeito e a falta de humanidade, é ser, no mínimo inocente, na medida em que a anomalia, pela repetição contínua, recebe o título de “normal”.
Desta vez minha via crucis aconteceu no Hospital Regional da Asa Norte, o HRAN, considerado entre os melhores da capital.
Minha enteada Débora, de 17 anos, estava acometida pelo que, inicialmente, imaginávamos uma forte gripe. Chegamos a fazer uma seção de auto-hemoterapia, mas a intensidade da doença era tal que, naquele momento, não havia outra saída a não ser a rede pública de “saúde”.
Exatamente às 19h30min o taxi nos deixou no HRAN. Débora estava ofegante e afônica, respirava com dificuldade, tinha diarréia, vômito e febre muito alta, além de grande fraqueza pela dificuldade em se alimentar. Enfrentamos toda a histórica frieza do atendimento e, nos bancos gélidos, adentramos a madrugada, sofrendo a pressão hedionda do verbo esperar. Passava de meia-noite quando minha esposa, mãe de Débora, chegou, me substituindo como acompanhante. Eram mais de 2h da manhã quando ela foi a meu encontro, desesperada e chorando muito. Tentei acalmar o clima e pedi que me contasse o ocorrido.
O diagnóstico de leucemia e diabetes, muito além da surpresa, consagrou o maltrato do Estado a nós, cidadãos. Nem a dureza dos bancos de espera, a frieza do atendimento ou a falta de sono foram piores do que as palavras: “sua filha terá que ficar internada porque os exames mostram diabetes e leucemia. Mesmo que tenhamos preparo espiritual, lidar com uma situação dessas é algo difícil, principalmente quando estamos sem dormir, comer e torturados pela passagem do tempo.
Conseguimos retornar para casa eram quase 7h da manhã. No ar pairava aquele velha pergunta: “ E agora, o que vamos fazer”...Imediatamente fui para a Internet pesquisar um pouco, tendo a oportunidade de ler alguns pareceres, tanto da alopatia quanto da homeopatia e da medicina tradicional chinesa. Como mantenho um blog sobre alternativas contra o câncer, resolvi enriquecê-lo também com informações sobre leucemia provindas da ciência não capitalista. Mas apenas dei início à organização destas informações e não sei quando conseguirei colocá-las no ar.
Três dias se passaram. Escrevo este artigo no domingo, dia 19 de fevereiro, dentro do próprio HRAN onde faço companhia para minha enteada. Cheguei aqui eram 15h15min e devo permanecer até 20h, tempo que utilizei para mais este desabafo comunitário. O que você vai ler daqui por diante, entretanto, é a origem da revolta de todo cidadão com o atendimento médico desumanizado. Falar em irresponsabilidade e imediatismo é pouco. O problema da rede pública é funcionar sob júdice de uma visão de ciência cruel.
Na manhã de hoje (19/02), por volta de 11h, Débora foi novamente examinada. Um experiente médico revisou seu quadro, seu diagnóstico e, perplexo, descobriu que a trágica informação da doutora plantonista, cujo nome não descobrimos, tanto de diabetes quanto de leucemia, era falsa. Na verdade Débora sofria os efeitos de uma grave inflamação de garganta, logo debelada pelos antibióticos. Nada mais que isso.
O diagnóstico da doutora. para o diabetes, pautava-se na existência de corpos cetônicos na urina, e não levou em consideração o estado de jejum em que a menina estava, pois esta vomitava sem conseguir segurar qualquer nutriente em seu organismo, revelando, é claro, a falta de glicose, e como nosso organismo é perfeito e inteligente, libera corpos cetônicos na urina.
Em relação a taxa alta de leucócitos, que deu a essa doutora a autoridade de nos aterrorizar, fica claro que é perfeitamente normal, já que Débora estava com uma infecção de garganta intensa e alergia (máculas) por todo o corpo.
Segundo o médico que desdisse as doenças graves, todo jovem tende a ter altas taxas de leucócitos, coisa que sua colega, apesar de formada e ativa profissionalmente, desconhecia. E o impacto desta incompetência quase causou doenças reais. Hoje somos nós que necessitamos nos recuperar do estresse oxidativo provindo desta história.
Infelizmente não tenho os nomes do médico informado ou da médica desinformada, talvez isso seja benéfico para ambos, embora não seja difícil descobrir pelo relatório do plantão. De qualquer forma, um susto destes, apesar de agressivo, nos ensina a vier. Débora ganhou um presente de Deus. Disse a ela que isto era como acertar na loteria e que deveria recomeçar com novas bases, não ficando acordada até altas horas, acordando sempre cedo, comendo melhor, orando muito mais e valorizando na vida o que realmente tem valor.
Ninguém entre nós, mesmo os de bons hábitos, estão livres de doenças contagiosas ou degenerativas. Conheci pessoas acometidas de problemas considerados graves que morreram, não pela patologia, mas pelo medo, após o diagnóstico.
Urge revisarmos nossos hábitos, nossos costumes, nossa trajetória, porém, revisar a principal fonte de todas as doenças, o pensamento, é difícil tarefa.
Acredito que a medicina do futuro se ocupará mais com o comportamento e com as emoções do que com sintomas. Até lá convém denunciarmos tudo, não permitirmos que nenhuma atrocidade, como a que vivemos nesses tristes dias, passe ilesa.
Em breve Débora voltará para casa, para a escola e poderá aproveitar muitos anos na experiência terrestre, esta magnífica escola de sabedoria que, apesar de corrompida historicamente, pode elevar nossa consciência e promover uma felicidade inabalável, além de todos os males e todos os eventos humanos.
Longa vida ao Dr. House!
Obs.: Na data do envio desta mensagem, 24/02, às 14h, Débora retornou para casa sentindo-se bem, apenas com seqüelas de corticóides e antibióticos e agora necessitará um bom trabalho de desintoxicação!


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