quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mudando a mente para se proteger da gripe suína


Queridos Amigos e Amigas,

Segue abaixo mais uma olhar sobre a questão da gripe suína. Há vários ângulos de se perceber uma situação. Acredito que todos devam ser analisados de mente aberta e que devamos aproveitar aquilo que nosso ser determinar.

Paz e luz em seus corações!

Alexandre Pimentel



Mudando a Mente para se Proteger da Gripe Suína

Ou as emoções negativas de toda uma população está causando isso?
por João Carlos Cordeiro

O vírus causador da gripe é chamado de Influenza.Gripe = Influenza = Influência Segundo a autora Louise Hay em seu livro Cure seu Corpo, o padrão de pensamentos e de comportamento de quem adquire gripe é :

- Reação a negatividade. Temor. Deixar-se influenciar pelas opiniões alheias.E o novo padrão de pensamentos que devemos ter, em substituição ao padrão acima é:

- Estou acima de crendices e imposições sociais. Estou livre de influências e pressões.

É interessante observarmos que em casos recentes de gripes epidêmicas ou pandêmicas houve situações de negatividade e temor em caráter mundial e a população sofreu grande influência (Influenza) da opinião pública, despertando o medo e o temor em relação ao futuro.

Observe abaixo um descritivo resumido de cada surto epidêmico ou pandêmico de gripe :

1) 1.918 Gripe Espanhola: após a Primeira Guerra Mundial2) 1.933 Surto ligeiro: após a queda da bolsa de valores de 1.9293) 1.946 Surto ligeiro: após a Segunda Guerra Mundial4) 1.957 Gripe Asiática: após Pacto de Varsóvia ( ameaça de uma 3ª Guerra Mundial )5) 1.968 Gripe de Hong Kong: após o início da Guerra do Vietnã ( ameaça de uma 3ª Guerra Mundial )6) 2.004 Gripe Aviária: após ataque à NY e Guerra do Iraque ( ameaça de uma 3ª Guerra Mundial )7) 2.009 Gripe Suína: após a Crise Financeira Mundial atual.

Segundo o horóscopo chinês, o signo do porco está associado à prosperidade. Também em várias culturas a imagem do porco está associada à cofrinhos, à fartura e à riqueza.

A principal atitude para evitarmos qualquer gripe é confiarmos no processo da vida e não sermos INFLUENCIADOS pela situação geral; não termos medo do futuro.

No caso específico da gripe suína, devemos evitar o temor em relação às questões econômicas e financeiras. Devemos confiar na Provisão Divina e na Prosperidade do Universo.

Não adquira Influenza. Não seja influenciado! Não se deixe influenciar pelas notícias de Crise Financeira Mundial.

Acredite no Futuro, acredite na Vida!

Abaixo um descritivo mais abrangente de cada surto epidêmico ou pandêmico de gripe:
1) A Gripe Espanhola em 1.918, que afetou 50% da população mundial, tendo matado 20 a 40 milhões de pessoas, ocorreu logo após o final da Primeira Guerra Mundial.

2) Em 1933 houve um surto ligeiro de Gripe, provavelmente ocasionada pelo temor ocasionado após a queda da bolsa de valores, em 1.929.

http://www.roche.pt/sites-tematicos/gripe/index.cfm/gripe/epidemias-e-pandemias/pandemias

3) Em 1.946 houve uma epidemia ligeira de gripe, logo após a Segunda guerra mundial - 1939-1945, que não recebeu um nome específico e juntamente com as gripes de 1.957 ( Asiática ) e de 1.968 ( de Hong Kong ) foram as epidemias mais recentes da história.


4) A Gripe Asiática, em 1957, foi precedida pelo Pacto de Varsóvia em 1.956. O Pacto de Varsóvia foi uma aliança militar formada em 1955 pelos países socialistas do Leste Europeu e pela União Soviética. O tratado estabeleceu o alinhamento dos países membros com Moscou, estabelecendo um compromisso de ajuda mutua em caso de agressões militares.

O organismo militar foi instituído, em oposição à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), organização internacional que uniu as nações capitalistas da Europa Ocidental e os Estados Unidos. A Criação do Pacto de Varsóvia gerou muito temor no mundo, pois criou a expectativa de uma Terceira Guerra Mundial.

5) A Gripe Hong Kong, em 1.968 ocorreu no clima da Guerra do Vietnã, sob ameça de início de uma Terceira Guerra Mundial.

6) A Gripe Aviária, em 2.004 foi precedida pelo temor mundial de uma guerra atômica, após o atentado de 11 de Setembro de 2.001 às Torres Gêmeas e posterior guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, que começou no dia 19 de março de 2003 e que foi, por muitos, posicionada como possível início da Terceira Guerra Mundial.

7) A Gripe Suína, agora em 2.009 foi precedida pela Crise Financeira Mundial que gerou uma enorme insegurança na população mundial.
Pensem nisso!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Segunda feira sem carne vermelha



A Campanha Segunda-feira sem carne ficou conhecida no mundo por ser uma das bandeiras levantadas pelo ex-Beatle Paul McCartney. Conhecido por defender o vegetarianismo como uma das formas de amenizarmos as consequencias do aquecimento global, McCartney diz que é adotando medidas como essa que poderemos deixar uma situação menos complicada para nossos descendentes.A produção de carne vermelha, como já se sabe, é uma das principais formas de desmatamento na Amazônia e liberação do gás mais prejudicial ao meio ambiente: o metano.Assumindo uma conduta preocupada com o meio ambiente e com a saúde dos trabalhadores que frequentam a Casa do Trabalhador, em Curutiba/PR, o CEPAT, parceiro estratégico do IHU, adotou também essa medida e passa a não servir mais a carne vermelha nas refeições preparadas nas segundas-feiras. "Para nós, significa uma oportunidade de sair de uma situação de impotência diante dos graves problemas ambientais, para uma ação mais propositiva, que possa resultar entre outras coisas, numa diminuição da emissão mundial de gases, cuja fonte principal, segundo a ONU é a criação de animais de corte", contou-nos Darli Sampaio, que foi uma das idealizadoras dessa campanha no Cepat.Para a mestre em Economia Solidária, a campanha Segunda-feira sem carne "significa a oportunidade de fazer a discussão sobre uma temática ampla e fundamental, que pode ser abordada nos aspectos dos impactos ambientais, de posicionamentos políticos e éticos ao mesmo tempo. Podemos abordar questões referentes ao direito dos animais e de seu respectivo tratamento ético". Trata-se, portanto, de uma campanha ativista, comunitário e político, como bem o definiu, McCartney.Segundo Darli, os trabalhadores receberam a campanha de forma bastante positiva. "Nossa impressão é que as pessoas tem entendido que ninguém será obrigado a se tornar vegetariano. Mas que a opção de retirar de sua alimentação a carne por um dia, certamente vai ajudar a controlar os impactos ambientais que a produção de carne causa no planeta. Vai não só viver melhor, mas também contribuir para que as gerações futuras posam ter uma maior e melhor oportunidade de vida", revelou. Quem sabe seja assim, passando apenas um dia sem consumir carne e divulgando tal ação a campanha ganhe ainda mais fôlego? "Isso, certamente vai depender de cada um, de cada uma, enfim, de nós. O Cepat e o IHU, apostamos num maior entendimento, numa maior compreensão de que não comer carne durante um dia, é mais do que um ativismo comunitário, é o resgate da nossa humanidade, de nossa perdida saniedade", finalizou ela.
Para ler mais:
Ecologia e pecuária. Tendência mundial de consumo crescente de carne é insustentável
Vegetarianismo: por que não comer carne?
Modelos da Playboy dos EUA fazem campanha vegetariana
Paul McCartney faz campanha por 'segunda-feira sem carne'
O consumo de carne e a degradação da Floresta Amazônica. Entrevista especial com Elke Stehfest
A dieta do clima. Coma menos carne e combata o aquecimento
Direito dos animais. A Lei Arouca em discussão. Entrevista especial com Róber Bachinski e Martin Sander
Expointer: um símbolo da matança industrial de animais. Entrevista especial com Rafael Jacobsen
Penalizar ou consumir? Alternativas para a crise dos alimentos do mundo. Entrevista especial com Antonio Meirelles
A importância de tornar-se vegetariano
Consumo de carne e aquecimento global
Animais: a morte organizada
Direitos dos animais. Entrevista com Tom Regan
A agricultura industrial nega aos animais uma vida minimamente decente. Um artigo de Peter Singer
Vegetarianismo como alternativa
Teoria e ética do alimento. Um novo livro de Peter Singer

domingo, 26 de julho de 2009

Uma Epidemia mais Grave que a Gripe Suína: A de Mau Jornalismo

Celso Lungaretti

Por Celso Lungaretti (*)

Uma epidemia muito pior que a gripe suína está grassando: a do alarmismo jornalístico.

A nova modalidade de influenza é uma moléstia que ainda não atingiu contingentes mais significativos da população brasileira, além de bem pouco letal.Mas, trombeteando dia após dia a mórbida contagem de cadáveres, o noticiário causa, em leitores pouco afeitos a estatísticas, a impressão de que estejam diante de uma terrível ameaça.



Longe disto. Em comparação com as grandes pestes do passado, a gripe suína é refresco.



Vale lembrar, p. ex., que a gripe espanhola matou quase 2% da população brasileira, no final da década de 1920: aproximadamente 300 mil pessoas.



Pior ainda é se compararmos os dados da gripe suína com outras causas de mortandade. Aí o que fica evidenciado é a má fé da imprensa.



Vejam o caso da cidade de São Paulo: o número de óbitos ainda não chega a oito.Pois bem, em maio eu alertei (ver aqui) que a concentração criminosamente elevada de enxofre no diesel mata, somente em São Paulo, capital, 3 mil pessoas ao ano - ou seja, oito por dia!



Mas, como há interesses econômicos de grande monta envolvidos, o assunto é praticamente banido do noticiário.Já o terrorismo midiático em torno da gripe suína tem sinal verde porque não afetou negócios importantes, pelo menos até agora.Só fez diminuir um pouco o turismo.



Vamos ver se a imprensa manterá o mesmo comportamento leviano caso o público venha a desertar consideravelmente das salas de espetáculos, comprometendo as receitas dos cadernos de variedades.



De resto, tenho a satisfação de louvar, mais uma vez, o corajoso trabalho do ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, que ousou neste domingo (26) qualificar o estardalhaço promovido por seu jornal em torno da gripe suína como irresponsável (ver aqui).



Seu comentário é uma verdadeira aula de ética jornalística. Vale a pena reproduzir os principais trechos:


"A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008."O título da chamada, na parte superior da página, dizia: 'Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses'. A afirmação é taxativa e o número, impressionante."



Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento."Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica."O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde 'estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem (...) ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões'.



"É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil."Mas não. Quem foi à página C5 (...) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).



"O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem 'adequadas' e que 'informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial'."

A Epidemia Porcina do Lucro


No mundo, a cada ano dois milhões de pessoas morrem vítimas de malária, que poderiam ser evitadas com um mosquiteiro.E as notícias não dizer nada sobre isto.

No mundo, morrem anualmente dois milhões de crianças de diarréia, o que poderia ser curada com um soro oral, de 25 centavos.E as notícias não dizer nada sobre isto.Sarampo, pneumonia, doenças preveníveis por vacinas barato matar dez milhões de pessoas no mundo a cada ano.E as notícias não relata nada …

Mas há alguns anos, quando ele apareceu a famosa gripe das aves …Mundo notícias … notícias … inundadas jacto de tinta advertência …Uma epidemia, a mais perigosa de todas! … Uma pandemia!Só fala da doença aterradora dos frangos.No entanto, a gripe aviária matou apenas 250 pessoas ao redor do mundo. 250 mortes durante 10 anos, dando uma média de 25 vítimas por ano.

A gripe comum mata meio milhão de pessoas por ano no mundo.Metade de um milhão para 25.

Um momento, um momento. Então, porquê tanta indignação estava armado com a gripe aviária em galinhas?

Porque por trás daqueles frangos tinham um “galo” galo de um grande estímulo.

A multinacional farmacêutica Roche Tamiflu com seu famoso milhões de doses vendidas aos países asiáticos.Embora Tamiflu é de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua gente.Com a gripe das galinhas, a Roche, e Relenza, as duas grandes empresas farmacêuticas que vendem a droga, tenho milhares de milhões de dólares de lucros.Até agora os frangos e suínos.

Sim, já começou a psicose da gripe suína. E todo o mundo é apenas notícias sobre isto …-Ele não diz nada da crise económica ou a tortura em Guantanamo …-Só a gripe suína, gripe suína …E eu pergunto se os frangos foram atrás de um “galo” … por trás dos porcos … não haverá “grande porco”?Olha o que diz um executivo da Roche …ROCHE Estamos muito preocupados com esta epidemia, tanta dor … é por isso que nós vendemos Tamiflu milagroso.- E como é para vender “milagre” Tamiflu?Bem, vamos ver … $ 50 a caixa.- $ 50 a caixa de pílulas?-Entenda, senhor, que os milagres são pagos … caro.O que entendemos é que essas empresas obter uma boa fatia da dor dos outros …

Os E.U. empresa Gilead Sciences tem uma patente de Tamiflu. O principal accionista desta empresa é nada menos do que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da Defesa de George Bush, o arquiteto da guerra do Iraque …Os accionistas da farmacêutica Roche e Relenza estão esfregando as mãos, eles estão felizes com as suas vendas de volta para o dúbio milionários Tamiflu.

A pandemia é real lucro, os enormes lucros desses mercenários da saúde.Não negamos a necessidade de medidas cautelares que estão a ser tomadas pelos países.Mas se a gripe pandémica suína é tão terrível como a mídia anunciou, caso a Organização Mundial de Saúde está preocupada com tanto a doença, porque não declará-lo como um problema de saúde pública mundial e permite o fabrico de medicamentos genéricos para lutar contra isso?

Sem patentes da Roche e Relenza, e distribuir os medicamentos genéricos livre para todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.
Passe esta mensagem a todos os lados, como se fosse uma vacina para todos sabemos que é a realidade do “pandemia”.

Dr. Carlos Alberto Morales Paita

Children’s Hospital pediatra – Lima, Peru

sábado, 25 de julho de 2009

A Vingança dos Porcos

Porcos são amigos e não comida!

Por Alexandre Pimentel*

Dentro das reflexões ecológicas temos uma frase que diz mais ou menos o seguinte: “Deus perdoa sempre, o homem perdoa de vez em quando, mas a natureza nunca perdoa. Também dizemos que a natureza não reage mas se vinga!

Talvez poucas pessoas vislumbrem a atual “gripe suína” como uma problemática de fundamentação ambiental, ou seja, são estimuladas pelos formadores de opinião da sociedade urbano-industrial, a não vincularem uma coisa com outra e enxergarem a fenomenologia social da doença como fruto do azar ou mera obra do acaso.

A sociedade de consumo, incluindo aqui a modalidade marxista, tem como uma das mais atraentes fontes de lucro da venda de remédios pelos grandes laboratórios. Além disso, não associando, por exemplo, ecologia com hábitos alimentares, ela cria um verdadeiro arsenal de anomalias que vão dos alimentos artificiais, criados com agrotóxicos, repletos de conservantes, corantes e acidulantes, até os ácidos graxos trans, o glutamato monossódico, o aspartame e os transgênicos.

E como se não bastasse, o modelo de sociedade ignorante que vivemos, utiliza o reino animal como campo de prova para todas as armadilhas destinadas à natureza.

Tanto os laboratórios de pesquisas, com suas sofisticadas técnicas de vivissecção, quanto os matadouros que jogam aves, suínos, bovinos na água fervente antes de terem morrido, são grupos de extermínio legalizados que vendem (quando, me perdoem, não enfiam a goela abaixo) o sofrimento disfarçado de comida ou remédio.

Nesse contexto, a famigerada gripe suína desponta como a doença pandêmica da moda. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em pouco tempo, ela deve atingir todos os países do mundo. Para os cientistas, atualmente, a principal suspeita é a de que o vírus tenha surgido a partir da combinação, em porcos, de vírus de gripe humana, suína e aviária. Do porco, esse novo vírus teria chegado aos humanos, que passaram a transmiti-lo entre si.

Ora, sabemos que a maioria dos animais de corte, além da tortura, da falta de luminosidade, dos pequenos espaços para grandes populações, da exploração física e psicológica, é sistematicamente submetida a vacinas de rotina, assim como recebe remédios contra bactérias, vírus e fungos que, com o passar do tempo, vão se tornando resistentes aos fármacos. Tornando-se resistentes, esses agentes patogênicos conseguem atingir animais diferentes daqueles que estão adaptados. Atingindo outros animais, como por exemplo, a espécie humana, consumidora de alimentos e remédios que minam a imunidade, esses “bichinhos” do universo invisível fazem a festa. Eles causam doenças que nenhuma droga alopática do momento consegue eliminar. Os cientistas acreditam que levarão dois anos para conseguirem uma vacina contra a influenza H1N1 mas não acreditam que possam erradicá-lo como aconteceu, por exemplo, com a varíola no Brasil. . Esses supervírus matam de verdade como se desejassem refrescar a memória de homens e mulheres quanto às atrocidades impostas aos animais não humanos, principalmente aos suínos que estão no rol dos mais maltratados no Brasil e no mundo.

Na ficção “A Revolução dos Bichos” do escritor inglês George Orwel, temos uma interessante história onde o protagonista é um porco chamado Major. Em um galinheiro ele reúne diversos animais para contar sobre um sonho e, de forma realmente revolucionária, inicia seu discurso com as seguintes palavras:

Então, camaradas, qual é a natureza da nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário para continuar respirando e os que podem trabalhar são forçados a fazê-lo até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade. Nenhum animal, na Inglaterra, sabe o que é felicidade ou lazer, após completar um ano de vida. Nenhum animal, na Inglaterra, é livre. A vida de um animal é feita de miséria e escravidão: essa é a verdade nua e crua.

Será isso, apenas, a ordem natural das coisas?

Será esta nossa terra tão pobre que não ofereça condições de vida decente aos seus habitantes? Não, camaradas, mil vezes não! O solo da Inglaterra é fértil, o clima é bom, ela pode oferecer alimentos em abundância a um número de animais muitíssimo maior do que o existente. Só esta nossa fazenda comportaria uma dúzia de cavalos, umas vinte vacas centenas de ovelhas - vivendo todos num com uma dignidade que, agora, estão além de nossa imaginação. Por que, então, permanecemos nesta miséria? Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos.

Eis aí, camaradas, a resposta a todos os nossos problemas. Resume-se em uma só palavra - Homem. O homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem, e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre
. (o grifo é nosso)

Interessante notar que diariamente utilizamos a expressão praga, referindo-nos a epidemias como a gripe suína, a SIDA e tantas outras, mas pouco pensamos “o que é” ou “quem é” a verdadeira praga. Na verdade, são as ações humanas interesseiras, com conhecimentos duvidosos e absolutamente isentas de humanitarismo, as causas de nossa própria dor.
A lei newtoniana de causa e efeito acontece a cada minuto debaixo de nossos olhos, mas a hipnose midiática, bem como a influência de corruptos, adeptos da filosofia bélica de combate ao inimigo microscópico, da idéia do “só um pouquinho não faz mal”, incentiva a população a pensar que doenças, por serem apenas contingências da vida, independem de seus hábitos, costumes e sistemas de crenças.

É dessa forma que despejamos ketchup, mostarda e maionese artificiais sobre uma pizza de calabresa (por coincidência obtida exclusivamente da carne suína!) com queijo gordo, molho de tomate com realçador de sabor, massa preparada com farinha branca refinada, desfibrada e preparada com ovos de galinhas sofredoras, cheias de tiques e doenças dos grandes aviários.
E, para variar, levamos ao forno microondas a saborosa pizza, que, resguardada por substâncias de conservação, aguarda uma semana por nossa compra em um refrigerador de supermercado. O microondas, por sua vez, destrói parte do complexo molecular do suposto alimento, ludibriando o organismo e afetando o sistema imunológico de forma patética.
Pense nesta refeição acompanhada de uma geladíssima coca cola, de fórmula desconhecida, de sabor viciante, que agradará as crianças que jamais recuperarão desejo por frutas e verduras!

Certamente, ao ler meu artigo, um crítico de plantão, dependente da tresloucada sociedade de consumo, questionaria se insinuo que pizza, refrigerante, carne de porco, gorduras, poluição, maus pensamentos e emoções seriam a causa da gripe suína! Normalmente esse tipo de crítico recorre a perguntas simplistas para eximir-se da própria responsabilidade como co-criador ou apoiador da indústria da morte.

Na verdade, o efeito de hábitos sociais deletérios, da má alimentação baseada em animal e artificial, má respiração, maus pensamentos, aos agrotóxicos, transgênicos e microondas, é a formação de um ser humano dependente de remédios, laboratórios e hospitais, seja por qualquer doença infecto contagiosa ou degenerativa.

A população rica consegue pagar profissionais que os emendam, restauram e limpam, fazendo com que vivam mais. As comunidades pobres morrem em filas do serviço público na ilusão de serem curadas.
Entretanto, meus queridos leitores, não se iludam, pois se as estatísticas ajudassem, saberíamos que o MEDO é o pior dos assassinos. Creiam que, independente de estatísticas compradas, a maior parte dos óbitos não se deve unicamente às doenças, mas ao medo de morrer promovido por nossos dominadores.

É exatamente por isso que pensamentos construtivos, emoções superiores como amor, amizade e esperança, associados com boa alimentação, boa música, bom sono e boa informação, constituem a melhor das panacéias.

Quem pratica otimismo produz hormônios altamente poderosos contra qualquer mal, por isso, contra gripe suína, prisão de ventre, estresse, depressão, sistema nervoso ou simplesmente falta de grana, fica a sugestão da didática das cinco letras “A” da vida saudável:

Primeiro A: Alimentação correta, com orgânicos, integrais e ênfase nos vegetais crus.
Segundo A: Atividade física prazerosa como caminhada, jardinagem e hata yoga.
Terceiro A: Alegria de viver, com solidariedade, oração, meditação e otimismo.
Quarto e Quinto A: Amor aos Animais.Os vegetarianos têm a consciência mais limpa!

Se você desconfiar que esteja com gripe, lembre-se que a grande probabilidade é de que seja a gripe do vírus influenza comum e tropical que conhecemos. Caso, porém, ao procurar ajuda médica profissional, seja alopática, natural ou homeopática, se descobrir que está com a gripe suína, faça os tratamentos indicados consciente que a maior garantia do universo é sua própria mente e sua própria fé. O remédio vai ajudar apenas se você realmente quiser viver e tiver controle sobre si próprio, produzindo hormônios estimulantes da autocura.

Lembre, também que, como falei anteriormente, a boa informação é e sempre será o melhor remédio! Não acredite em nada cuja análise não envolva o ser humano integral, com suas relações físicas, ecológicas, emocionais, mentais, sociais e, acima de tudo, espirituais.

*
Alexandre Pimentel é escritor, palestrante e consultor de vida saudável.


Fontes consultadas:


Orwel, George - A Revolução dos Bichos

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Como evitar de fato a gripe suína


COMO EVITAR A GRIPE SUINA


Por Dr. Marcio Bontempo, Médico Sanitarista


Press release: O médico Marcio Bontempo (CRM-DF 15458), especialista em Saúde Pública e naturopata, alerta como as pessoas adquirem a gripe suína (Influenza A - H1N1) e mostra como preveni-la através da alimentação, de produtos naturais e biológicos e dá outras dicas, além dos procedimentos de praxe.

Além das recomendações das autoridades sanitárias, como lavar as mãos com frequência, etc., existem providências que devem ser lembradas, ou conhecidas que, infelizmente, não fazem parte dos cuidados necessários, sendo que, muitos deles, são mais importantes do que as orientações oficiais.

Primeiramente, tanto profissionais de saúde quanto pessoas comuns, devem saber que é necessário atuar no sentido de se possuir um sistema imunológico bem forte. Percebo que absolutamente nada está se fazendo nessa direção, de uma forma que se espalha o terror de uma nova doença, mas não se tomam as providências necessárias para reforçar o mecanismo de defesa do organismo da população, permitindo assim que todos estejam expostos à virose em questão.

Por que as pessoas adquirem mesmo a gripe comum e o que fazer para fortalecer as defesas?
Para começar, é necessário saber O QUE ENFRAQUECE o nosso sistema imunológico, e isso não é divulgado (ou sabido?) pelas autoridades sanitárias.

Sabe-se, cientificamente, que todos os vírus se beneficiam e se desenvolvem mais facilmente em ambientes orgânicos mais ácidos e, obviamente, quando o sistema imunológico está enfraquecido. E o que faz com que nosso ambiente sanguíneo fique mais ácido e o que diminui a força das nossas defesas?

São os alimentos industrializados que tendem a criar e a manter um ambiente sanguíneo mais ácido.

Os principais são:

Açúcar branco - produz ácido carbônico em quantidade proporcional à quantidade ingerida, seja ele puro ou presente em doces, refrigerantes, bolos, tortas, guloseimas, etc. O uso regular de grandes quantidades de açúcar branco produz perda de cálcio e magnésio (e muitos microminerais), o que afeta sobremaneira de modo crônico e constante o nosso sistema imunológico. Deve ser substituido pelo açúcar mascavo orgânico, mel, etc.

Carnes vermelhas e embutidos – Produz diversos ácidos e reações ácidas, como ácido oxálico, ácido úrico, além de toxinas redutoras da imunidade como cadaverina, putrescina, indol, escatol, fenol, etc. Como fonte de proteínas, dar preferência a peixes e proteínas vegetais, frutas oleaginosas, leguminosas, subprodutos da soja, etc.

Leite e derivados - Principalmente o leite de vaca, rico em caseína (indigesto), produz incremento do ácido lático e gera mucosidades em excesso, enfraquecimento das defesas orgânicas, expondo os seus consumidores, não só à gripe, mas a muitos outros problemas.

Substituir por leite de soja pronto ou caseiro (evitar o leite de soja instantâneo, em pó). Como fonte de cálcio, preferir as verduras e os feijões.

Farinhas brancas – O pão branco e as farinhas de trigo brancas, não integrais, são fermentativas e produzem mucosidades, além de serem pobres em proteínas, vitaminas e minerais essenciais. Seu uso constante enfraquece o organismo.

Frituras, comidas em saquinhos (chips), guloseimas, fast food – Hoje consumidos em grande quantidade por crianças e adolescentes, responsáveis por grandes desequilíbrios orgânicos e muitas doenças, como diabetes, obesidade, pressão alta, etc. O seu consumo regular, associado ao açúcar branco, determina um constante estado de acidificação do sangue e depósito de compostos prejudiciais.

Álcool - Em pequenas quantidades (vinho, etc.) pode até ajudar, mas em excesso produz reações ácidas.

Recomenda-se, portanto, evitar estes alimentos substituindo-os, sendo que esta abstenção já significa um grande passo para a prevenção de qualquer gripe e de muitas doenças.

Alimentos recomendados para aumentar as defesas orgânicas

Há alimentos particularmente úteis para reforçar a nossa imunidade, tais como o arroz integral, os subprodutos da soja (tofu, leite de soja líquido, misso), a aveia (rica em beta-glucana, um grande estimulador do mecanismo de defesa), o inhame, as verduras em geral, frutas frescas, a semente de linhaça, o gengibre, o alho, a cebola e outros.

Outros fatores que reduzem a imunidade

Estresse - um dos piores inimigos, pois reduz a ação das células de defesa, principalmente os linfócitos que combatem os vírus, elevando os níveis de adrenalina e cortisol, um imunodepressor. O estresse é provocado pela vida agitada, os problemas diários, as preocupações excessivas, o excesso de trabalho ou estudos, etc.

Vida sedentária – Com ela os radicais ácidos se acumulam nos músculos e nos demais tecidos, reduzindo o pH do corpo e favorecendo as doenças virais e bacterianas.

Ar condicionado - Deve ser evitado a todo custo, pois desidrata o ar, ressecando as mucosas e produzindo desequilíbrio térmico no organismo. Faz muito mal.

Hábitos perniciosos - Tabagismo, alcoolismo, drogas, excesso de remédios farmacológicos, etc., são, decididamente, fatores que reduzem a capacidade de defesa do organismo.
Certamente que muitas mudanças propostas são sacrificantes, mas tudo é uma questão de ajuste e adaptação, sendo que, os resultados são altamente benéficos, não só em relação à gripe suina, mas à saúde em geral

Dicas da medicina natural, ortmolecular e homeopatia para a prevenção (e tratamento) da gripe suína.

Além das medidas anteriores, cientificamente sugere-se o seguinte:

Alho

O alho é rico em alicina, uma substância ativa que possui ação antiviral reconhecida, além de mais d euma dezena de outros componentes imunoentimulantes. Basta ingerir diariamente 3 a 5 dentes de alho cru picado, com os alimentos ou engolidos com água ou suco. Há o inconveniente do hálito, mas é passageiro, e mais vale a boa saúde do que o comentário alheio. Existem também suplementos à base de alho que não exalam odor, mas são caros. O óleo de alho em cápsula ou o alho em comprimidos não produzem o mesmo efeito do alho cru. O alho também é útil para evitar ou tratar uma grande quantidade de doenças. O problema do alho para crianças é a dificuldade para ingerir, mas com habilidade tudo é possível.

Própolis

A própolis é reconhecida cientificamente como um antibiótico naturalm incluindo uma forte ação antiviral, tanto em situações de infecção quanto como para prevenção. Foram reconhecidos mais de 100 principios medicinais ativos da própolis. Deve-se usar o extrato alcoólico de própolis a 30%, na quantidade de 30 gotas, 3 a 4 vezes ao dia, em meio copo de água. Para crianças pequenas, metade da dose (lactentes e bebês, seguir orientação do pediatra). Pode-se colocar um pouco de mel para adoçar e reduzir o sabor e efeito da própolis na boca.

Chá de gengibre

O gengibre é um alimento funcional reconhecido hoje cientificamente por seus poderosos princípios ativos. Foram isolados cerca de 25 substâncias, entre elas as famosas gengiberáceas, de grande ação estimulante do sistema de defesa do organismo e ação antiviral. Basta beber chá de gengibre fresco, forte, uma xícara 3 vezes ao dia, morno ou quente e sem adoçar.

Equilíbrio nervoso neurovegetativo

O organismo e as células de defesa são regidos pela ação do sistema nervoso autônomo, representado pelos sistemas simpático e parassimpático; o primeiro é responsável pela produção granulócitos (de pouca ação viral e mais bactericida) e o segundo de linfócitos (de ação antiviral direta). Devido à agitação da vida moderna e ao estresse, as pessoas apresentam um excesso de atividade do sistema simpático (que produz adrenalina, cortisol, etc., todos imunodepressores), com maior quantidade de granulócitos do que linfócitos, o que abre o caminho para viroses. É devido a isso que muitas pessoas adquirem uma gripe depois de um impacto emocional, notícia ruim, desavenças, tristezas, etc. É necessário proceder à redução da atividade simpática (redução do estresse,etc.) e promover maior estímulo parassimpático. Isso se consegue com mais repouso, menos agitação e preocupações, atividade física moderada, respiração profunda, alimentação natural integral, massagens terapêuticas, saunas, banhos quentes (tipo ofurô, banheiras, etc). Importante é evitar a friagem e manter o corpo aquecido, principalmente as extremidades.

Saquinho com cânfora - uma grande dica

Durante a gripe espanhola no começo do século passado, milhões de pessoas morreram, mas aqueles que lidavam com os doentes raramente contraiam o vírus. É que havia uma orientação para que o pessoal de serviço, médicos, enfermeiros, etc. usasse um saquinho de gaze com pedras de cânfora pendurados no pescoço. As emanações voláteis da cânfora esterilizam o ar em sua volte e protegem as mucosas. Então, aconselha-se a fazer o mesmo. Basta adquirir a cânfora na farmácia comum (algumas pedrinhas bastam), confeccionar uma bolsinha de gaze e pendurar no pescoço, podendo inclusive manter por dentro do vestiário, sem necessidade de deixar à mostra (se bem que o ideal é manter do lado de fora). Deve ser usado constantemente durante o contato com as pessoas. É uma boa dica para quem lida com pessoas ou trabalha em ambiente de aglomeração, etc.

Fórmula homeopática

A homeopatia, diferentemente da medicina farmacológica, atua estimulando a capacidade orgânica. Há uma fórmula homeopática para a preveção, tando da Influenza A (H1N1), quanto de qualquer outro tipo de gripe. É a seguinte:
Para a prevenção, tanto para adultos quanto para crianças:
Aviarium 200 CH..........................30 ml
Influenzinum 200 CH...................30 ml
Álcool a 20%

Tomar 10 gotas, de preferência diretamente na boca, uma vez por semana, cada semana um, alternados. Para crianças muito pequenas, dar apenas 5 gotas em um pouco de água numa colher.

Para tratamento em caso de gripe (qualquer que seja):

Aconitum napellus 3 CH
Antimonium tartaricum 3CH
Allium cepa 3 CH
Bryonia alba 3 CH
Belladonna 5 CH
Gelsemium 5 CH
Fazer 30 ml, em partes iguais (pedir : ãã)
Álcool a 20%.

Tomar 10 gotas (direto na boca ou em água para crianças) a cada meia hora em caso de sintomas de qualquer gripe, até melhorar bem.

Estes remédios podem ser adquiridos nas boas farmácias homeopáticas, e não fazem mal algum ou produzem efeitos colaterais. Se necessário, procurar um médico homeopata para a confecção de uma receita.

Atividade física, sol e ar livre.

Sempre importante em qualquer aspecto para uma saúde melhor.

Suplementos

A medicina ortomolecular e a fototerapia preconizam o uso de dois suplementos:
Vitamina C - Recomenda-se o uso de 500 mg de vitamina C (ácido l-ascórbico) orgânica de uma a duas vezes ao dia, para reforçar as defesas. Crianças pequenas, metade da dose ou sob orientação pediátrica.

Cogumelo do Sol - Eleva a imunidade por ser rico em substâncias imunomoduladoras, como a beta-glucana. Adultos devem tomar 2 cápsulas de 500 mg 2 a 3 vezes ao dia, tanto como preventivo quanto para tratamento. Crianças pequenas, tomar metade da dose. No caso de dificuldade de encontrar o cogumelo do sol, procurar comer cogumelos, tipo champignon, shitake, shimeji, funghi, etc.

Minerais e microminerais – Com a acidificação constante do sangue devido á alimentação industrializada moderna, aliada ao estresse, perdem-se muitos minerais e microminerais que não são repostos pela dieta, haja vista o o fato de que os alimentos modernos estão empobrecidos em termos de minerais (solo naturalmente pobre, uso de adubos, agrotóxicos, manipulação industrial, congelamento, microondas, etc.). Certamente que essa condição afeta a imunidade. É necessário atualmente repor estes nutrientes de modo a manter as defesas orgânicas, mas não é qualquer suplemento que serve. Recomenda-se utilizar os concentrados biominerais marinhos, principalmente aqueles extraidos da poderosa alga Lithothâmnium, que possui acima de 50 minerais e microminerais orgânicos, de alta assimilação pelas células.

Frutas em geral - As frutas, principalmente as cítricas, ajudam a alcalinizar o sangue e são ricas em minerais e vitaminas, favorecendo a saúde e protegendo o organismo. Pessoas que consomem poucas frutas estão muito mais sujeitas, não só às viroses, quanto a qualquer outra enfermidade.

Estas orientações servem tanto para a prevenção quanto para serem utilizadas em casos de pessoas que contraíram qualquer tipo de gripe. Além do mais, estes procedimentos nos deixam seguros e tranqüilos em relação ao grande terror de se contrair, tanto a Influenza A quanto quaisquer outras doenças virais.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ética na Alimentação: O Fim da Inocência*




Sônia T. Felipe/UFSC/ UL Lisboa


Doutora em Filosofia. Professora de ética e filosofia política na UFSC


As "sociologias da alimentação" investigam as variáveis sociais que influenciam os hábitos alimentares humanos [1].



Os padrões morais ou práticas e costumes consagrados por determinada sociedade, que, via de regra, pensamos influenciar apenas nossas práticas sexuais e sociais, estão profundamente ligados à forma pela qual os humanos inventam e preservam estratégias para obter e garantir seu alimento. Pode-se dizer que a escolha da matéria que será transformada em comida e servida à mesa, em balcões de lanchonetes, cafés, embalagens para viagem, supermercados e feiras, revela a moral de determinada sociedade e a ética que rege as escolhas individuais.



Para não deixar dúvida sobre o sentido do termo "ética", aqui empregue, é bom que seja distinguido do termo "moral".



Enquanto moral é o conjunto de "valores" preservados numa determinada cultura, podendo ser, portanto, relativa à uma cultura e não a outras, ética é a determinação de fundamentar a ação em bases não relativistas. O que é certo ou errado fazer, da perspectiva ética, não muda de cultura para cultura, de região para região, de classe para classe, sexo para sexo, religião para religião, a menos que circunstâncias prementes coloquem os humanos em condições tais que seus atos de sobrevivência não possam mais ser considerados atos livres. Cada uma das influências morais tem seu próprio código moral. Mas, quando falamos de ética na alimentação, estamos falando do projeto humano de buscar um princípio moral não relativo, aplicável à ação de comer, que possa ser aceito como válido por indivíduos formados moralmente em diferentes padrões culturais.

A fim de não perdermos de vista o conceito de ética a partir do qual este texto foi elaborado, é bom lembrar que um princípio ético deve atender a, pelo menos, três requisitos formais: 1. Poder ser aceito por sujeitos capazes de concluir um raciocínio após examinar premissas lógicas [validade universal]; 2. Servir para orientar as decisões em casos de naturezas distintas [generalidade] ; 3. Permitir seu emprego independentemente do grau de poder político, religioso e econômico do agente moral [imparcialidade] . Mas, uma ética cujos princípios atendam a essas exigências ainda continua formal. Para superar a formalidade desses critérios, a ética deve, fundamentalmente: 4. Promover o bem daqueles que são atingidos pelas decisões morais [finalidade] .



Para tornar mais compreensível o que foi escrito acima, podemos fazer um experimento mental. Geralmente a ética é identificada com a postura da beneficência e da não-maleficência, com o princípio da justiça eqüitativa, com o princípio do respeito à autonomia individual, e assim por diante. A beneficência, a não-maleficência, a justiça e a autonomia podem ser compreendidas então como princípios éticos que servem para nos ajudar a tomar decisões de caráter moral. No entanto, embora compreendamos minimamente o que cada um desses princípios representa em nossa formatação moral, nem sempre conseguimos ver claramente de que modo nossas práticas cotidianas devem ser orientadas por eles. Se pretendemos que nossas decisões e ações sejam éticas, no sentido de que atendem às quatro exigências expostas acima, essas decisões e ações devem ser de tal ordem que possam ser reconhecidas como válidas por qualquer sujeito capaz de raciocinar de modo coerente; devem ser ações cujo sentido e razão de ser possam ser ampliados também para outras decisões de cunho moral; devem ser decisões imparciais, no sentido de que a decisão tem valor moral independentemente do sujeito que a toma; e, finalmente, não são decisões tomadas visando beneficiar o sujeito da ação moral, mas o paciente dessa ação.



Quando aplicamos os critérios éticos à nossa dieta, encontramos um vazio moral. O modo pelo qual nos alimentamos só pode ser considerado "moral" no sentido latino do termo, quer dizer, o que ingerimos é determinado pelo costume ou padrão da cultura na qual nascemos. Mas, será que as decisões e ações relativas ao ato de comer podem ser consideradas universalmente válidas? Será que temos algum princípio ético para orientar nossos atos diários ligados à ingestão de alimentos? Será que esse princípio pode ser pronunciado claramente em público? Será que o princípio que rege nossas escolhas alimentares é um princípio imparcial? Será que nossas escolhas alimentares "beneficiam" os que são diretamente afetados por elas? Examino a seguir duas das escolhas alimentares mais comuns na comunidade moral dos vegetarianos.
Ética no ato de comer



Talvez o ato de comer seja, entre tantos outros já analisados pela sociologia, a antropologia, a economia e a ciência política, o único considerado realmente natural, o que nos leva a pensar que, se comer é algo "natural", nesta prática não cabe qualquer consideração ética. A filosofia não trata da questão do "comer". Se é natural, então não há questão filosófica alguma para ser tratada, pensam os filósofos. Fazer uma reflexão ética implica em raciocínios que nos tiram do conforto da moralidade naturalizada. Esta admite como "valor" a ser preservado tudo o que se mantém pelo costume. Considera-se que aquilo que consegue manter-se como prática institucional em uma dada sociedade tem força e valor suficientes para continuar a ser mantido. A alimentação e as regras de ingestão, a forma como o alimento é apresentado ao comedor e a mecânica de sua produção, tudo isso é considerado "natural". Então, concluímos, quando comemos não praticamos qualquer ato imoral.



Comer, nas sociedades industrializadas e nos grandes centros urbanos, no entanto, deixou de ser uma prática que interessa investigar apenas do ponto de vista antropológico e sociológico, isto é, com métodos meramente descritivos, destituídos de qualquer crítica e despidos de quaisquer juízos de valor.

O uso das mulheres para serviço dos homens, o seqüestro dos africanos e sua venda como mercadoria para o serviço das lavouras dos brancos em toda a América, o uso e extermínio dos animais e a destruição dos ecossistemas naturais estiveram todos na mesma categoria de ações humanas, consideradas "necessárias" ao bem da "humanidade" , ao longo da história. Nossa moral tradicional nos ensina que onde há "necessidade" não há liberdade. Onde não há liberdade não há possibilidade de "juízos de valor". Se as lavouras de algodão e cana-de-açúcar não podiam ser cultivadas senão pela mão-de-obra escravizada, então, concluíam intuitivamente os conservadores, a instituição da escravatura era necessariamente justificável do ponto de vista moral.



Seguindo a mesma lógica conservadora, os apologistas da dieta-padrão norte-americana, disseminada ao redor do planeta, entendem que, se a demanda por produtos de origem animal não desaparece, então a instituição da produção de animais para o abate ou derivados é moralmente justificável. Nos dois casos, a escravização de humanos e a escravização de animais não-humanos, a "necessidade" é considerada um argumento suficiente para justificar moralmente a instituição. Mas, o que ninguém investiga são as causas de tais "necessidades" .



A inocência moral do costume de escravizar africanos nas lavouras e negócios euro-americanos acabou na segunda metade do século XIX. Do mesmo modo, acabou a inocência no uso do trabalho das mulheres para agregar poder econômico, moral e político aos homens. Nossa era é a do fim da inocência moral no ato de comer animais e seus derivados. Embora continue a ser "natural" comer, já não há nada de natural no conteúdo de qualquer refeição que resulta de processamento industrial. O argumento de que a abolição da moral onívora é uma utopia, porque todos estamos enraizados em práticas cotidianas que a sustentam, segue a mesma lógica de defesa da escravização de africanos e exploração das mulheres.

Há um século e meio atrás também dizia-se que a escravidão não poderia ser abolida porque representaria a ruína da economia e da política internacional. Na verdade, escreve Fox, "[h]ouve um tempo não muito longe, no entanto, no qual muitas pessoas não apenas pensavam que a escravidão fosse algo justificável e mesmo sancionada por Deus, e estavam seguras de que elas – e a sociedade – não poderiam sobreviver sem ela. O que isso significava era que seu estilo de vida, bem-estar econômico, e posição de poder e privilégio não poderiam sobreviver sem ela, o que é algo bem diferente. [...] Mas ninguém afirma que a utilidade social da escravidão foi maior no tempo em que existiu. [...] Quando todos os benefícios e danos relevantes são levados em conta, fica evidente que a escravidão era uma instituição viciada e irremediavelmente cruel. [...] Mas somente há pouco tempo alguns ousaram sugerir que os animais são rotineiramente tratados como escravos e que há nisso um grau comparável ao da escravização humana."
[2]

Nos últimos quarenta anos a dieta humana sofreu transformações em todos os seus aspectos: de regional passou a ser global. Com essas transformações deixou de ser típico de uma região comer certos alimentos. Também deixou de ser típico de cada região prepará-los de modo peculiar. Processados, todos os alimentos passaram a ser oferecidos a todos os olhos e estômagos, disseminando com isso as conseqüências da padronização que o processamento de alimentos sofre nesse terceiro milênio da civilização judaico-cristã .

Se a quarta exigência da ética, sua finalidade, é buscar o benefício para aqueles que são afetados por nossas ações, as práticas humanas de alimentação devem passar também pelo crivo da ética, a exemplo das práticas econômicas e políticas que antes garantiam a um grupo privilegiado os benefícios de seus empreendimentos escravagistas e machistas, ao mesmo tempo em que para os afetados por esses empreendimentos nada se oferecia. Comer deixou de ser simplesmente um ato imposto por uma "necessidade natural". Na verdade, o que se come, hoje, passou a ser imposto pelos "interesses industriais".

O ato de comer perde a aura de inocência no momento em que os humanos têm à sua disposição as mais diversificadas fontes naturais de nutrientes vegetais, mas insistem em encher seu prato de pedaços de carcaças que constituíram organismos de indivíduos animais que viveram uma experiência particular de vida. Não há inocência alguma no ato de comer, quando o buffet do qual nos servimos oferece aos comedores uma variedade de preparados nos quais os produtos derivados do abate intensivo de animais e os subprodutos dos restos desse abate são apresentados lado a lado com produtos não derivados de animais. A inocência acaba quando, mesmo tendo diante de si alimentos nutrientes de origem vegetal, o comedor "escolhe" pôr em seu prato porções derivadas de animais. "Humanos têm a capacidade de pensar e sentir eticamente [escreve Michael Allen Fox]. Dessa perspectiva, não somos animais que não podem agir a não ser do modo ditado pela natureza; somos seres que podem deliberar e fazer escolhas. Apelar para nosso lugar "natural" na cadeia alimentar, ou para a "naturalidade" de comer animais, dado que rotineiramente eles se comem uns aos outros, é abdicar precisamente da responsabilidade de raciocinar e assumir as conseqüências de nossas ações."
[3]

A inocência perdida

Ovos, leite, laticínios, carnes e outros alimentos ou produtos de origem animal, tais quais a gelatina e o mel, por exemplo, são considerados alimentos ricos em proteínas, cálcio e minerais, e declarados imprescindíveis à saúde do organismo humano. Ao impor o padrão alimentar que atende largamente aos interesses do agronegócio, dominante ao redor do planeta desde a década de 70 do século XX, a moralidade na qual fomos formatados nos forçou à "inocência" em nossas escolhas dietéticas. Jamais, em qualquer programa de TV que aborde a questão da alimentação e saúde, são apresentadas ao telespectador as cenas que estão no ar sem serem transmitidas ao vivo em todos os galpões de confinamento completo de aves, suínos e bovinos, e nos abatedouros que os degolam e esquartejam em ritmo industrial, mecanizado.



Essa pretendida inocência no ato de escolher o que se coloca no prato não é típica apenas dos onívoros. Considerando- se a classificação dos tipos de escolha alimentar praticados hoje ao redor do planeta, feita em The New Vegetarians , de autoria de Paul R. Amato e Sonia A. Partridge, encontramos igual resistência moral naqueles que se dizem vegetarianos, mas incluem em sua dieta produtos de origem animal, tais quais, leite, ovos, mel, gelatina, etc. Na lista de vegetarianos os autores citam: "(1) Ovo-lacto-vegetarianos, consomem ovos e laticínios, menos carne; (2) lacto-vegetarianos, consomem laticínios, mas não ovos e carnes; (3) ovo-vegetarianos, comem ovos mas não laticínios e carnes; (4) veganos, não comem carnes, laticínios e ovos (e geralmente também não usam mel); (5) vegetarianos macrobióticos, vivem de grãos integrais, vegetais marinhos e do solo, leguminosas e missô (uma pasta altamente proteica feita de grãos e soja fermentados) ; (6) higienistas naturalistas, comem alimentos vegetais, combinam alimentos, e praticam jejuns periódicos; (7) crudívoros, comem apenas alimentos crus de origem vegetal; (8) frugívoros, consomem frutas, nozes, sementes e certos vegetais; e (9) semivegetarianos, incluem pequenas porções de peixe e ou frango em sua dieta."[4]

Para que melhor possam compreender porque acima escrevi que não há uma diferença fundamental entre os onívoros e os demais comedores que incluem produtos de origem animal em sua dieta, especialmente leite e ovos, gostaria de lembrar que a questão ética implicada na consideração da dieta inclui em todos os casos a morte não justificada de animais. Ao contrário do que os ovo-lacto-vegetarianos pensam, comer produtos derivados do leite e comer ovos adquiridos da rede de comércio de alimentos implica em torturar e matar animais, e em número maior do que geralmente se supõe.



Por que não se pode ser inocente ao "comer" ovos?



Animais de quaisquer espécies nascem em liberdade física, quer dizer, o nascimento representa o corte do suprimento recebido ao longo da gestação, não importa se esta se dá num útero, ou num ovo. Podemos definir um animal como o tipo de ser vivo que ao nascer tem sua fonte de provimento suspensa, e passa a depender do provimento que deve chegar do ambiente natural e social que o cerca. Para viver, todo animal precisa aprender a identificar a matéria que contém nutrientes necessários ao seu desenvolvimento e sustento, e reconhecer a matéria que não os contém. Animais, portanto, são distintos dos vegetais, por terem de prover seus organismos num ambiente aberto, o que requer liberdade física. Isso tem seu lado bom, e seu risco. Depender de nutrientes exteriores mas não colados ao corpo, força o animal a procurá-los. Tal procura é parte do processo de construção da mente específica do animal, seja ele humano, ou, não-humano. Se o animal for privado da liberdade de "mover-se para autoprover-se" , destruiu-se o que o caracterizaria. Tudo o que se fizer a ele daí por diante já não o ajudará a ser um animal "feliz". Por isso, leis bem-estaristas de proteção aos animais criados em confinamento completo são tão hipócritas quanto o é a lei do "abate humanitário".

Galinhas não fogem à regra da condição de serem animais. Mas as que são forçadas a nascer para servir à indústria dos ovos, têm sua liberdade física completamente atrofiada pelo processo industrial de produção ao qual estão submetidas. Menos de um dia após nascerem, os pintainhos são jogados numa esteira rolante para a "escolha" dos machos, que são descartados. O descarte pode ser feito jogando-se todos num saco plástico, que ao encher será fechado, levando-os à morte por sufocação, ou numa máquina de triturar, vivos. Muitos podem estar perguntando: por que os matam e não os criam para abate? Porque os machos que nascem dos ovos selecionados para a produção de galinhas "poedeiras" não prestam para a indústria da carne do frango. Eles demoram muito para crescer. Com base nos dados de 2002, pode-se estimar que, só nos Estados Unidos, são mortos pela indústria de ovos algo em torno de 300 milhões de pintainhos machos por ano.
[5]

A agonia das aves produzidas na indústria de ovos não acaba com o descarte brutal dos pintainhos machos no primeiro dia após o nascimento. Neste dia começa o tormento dos pintainhos fêmeas. Este tormento durará até dois anos e meio, em média. Para começar, todas são levadas à máquina que corta um terço de seu bico, e cauteriza o toco que ali resta. A lâmina em brasa faz o serviço, conduzida por um trabalhador que não tem autorização da empresa para anestesiar o bico do pintainho fêmea. A parte do bico cortada é completamente enervada. Sem anestesia, o processo doloroso pode prorrogar-se de 5 a 6 semanas, conforme o descreve Erik Marcus.
[6] Os animais também não recebem analgesia após o procedimento.

A razão da debicagem é o confinamento ao qual essas fêmeas serão condenadas para o resto de suas vidas. Devido ao grande número de galinhas alojadas num só galpão, e ao fato de que estarão confinadas num espaço que não chega ao de uma caixa pequena de sapatos, elas estressam de tal modo que passam a bicar tudo o que estiver ao seu alcance. Na indústria de ovos não há atendimento individual às aves. Se muitas forem bicadas formar-se-ão ferimentos que as levarão a infecções e à morte. Não recebendo qualquer tratamento veterinário personalizado, aves bicadas morrem aos montes.

Aos 120 dias de vida as pequenas aves destinadas ao processo de postura são levadas para o confinamento definitivo, do qual sairão mortas por exaustão, ou destinadas ao abate, quando estiverem "gastas". O espaço que recebem nos galpões de confinamento não permite sequer que possam esticar as asas. E assim, sem qualquer possibilidade de exercício físico, são forçadas a viverem mais 800 dias, sem jamais terem ciscado a terra, colhido insetos e minhocas, comido areia, ou formado grupos sociais e vivido nesses grupos de forma prazerosa, uma necessidade específica das galinhas.

O piso aramado das gaiolas nas quais as galinhas são alojadas tem o formato de grade, para permitir que os excrementos caiam. Os arames causam ferimentos nos pés. Quando as feridas cicatrizam, o tecido se forma envolvendo o arame. Com os pés aderidos ao arame, as galinhas são impedidas de se levantarem ou de trocarem de posição. Quando o tecido se rompe com o peso do corpo e o esforço do animal para livrar-se da algema, os pés caem no vão aramado. Se a galinha não consegue mais voltar à posição usual, ela morre sufocada, de fome ou de sede, pois não consegue alcançar os servidouros de água e comida.
[7]

O fato de serem forçadas a pôr ovos ininterruptamente leva a uma perda enorme de cálcio. A conseqüência mais dolorosa é a fratura óssea. Dado que as galinhas não recebem tratamento médico individualizado, tais fraturas são a causa de pelo menos 30% das mortes de "poedeiras". Esse é o percentual de galinhas com fratura óssea que chegam ao local do abate.
[8]

A agonia das galinhas poedeiras não tem fim. Devido ao esforço diário para expelir os ovos, um dos males mais dolorosos e fatais para elas é o prolapso do útero. Ao sair, o ovo acaba puxando junto o útero, que não tem como voltar para seu lugar, a não ser com ajuda médica. Mas, para restabelecer a posição normal, o procedimento pode levar até 1 hora. Dado que o acidente ocorre em grande número de "poedeiras", os custos do pagamento de 1 hora de trabalho por animal, para o veterinário colocar o útero manualmente de volta em seu lugar, tornam o negócio inviável. As galinhas que sofrem prolapso do útero morrem em agonia. Essa agonia torna-se ainda maior quando as outras começam a bicar e devorar o útero prolapsado. Somente nos Estados Unidos morrem mais de 2 milhões de galinhas por ano, por prolapso não tratado. A morte em agonia dura, no mínimo, dois dias.

As galinhas que não sofrem ferimentos nos pés por causa da grade de arame sobre a qual têm que ficar em pé, as que não sofrem de fraturas devido à descalcificação óssea, e as que não morrem em agonia por prolapso do útero, seguem em vida forçadas pelas doses maciças de ração e exposição à luz artificial, pondo ovos ininterruptamente. Quando sua produtividade diminui, e o empresário não pode baixar o número de ovos oferecidos ao mercado por dia, elas são enviadas para o abatedouro, virando alimentos processados (sopas, pós, e embutidos). Se o empresário fornece para consumidores com alguma variação na demanda, as "poedeiras" passam por um "choco" forçado, o que as leva a renovar a carga hormonal e voltar aos níveis de produtividade anteriores. "Durante o choco forçado, descreve Marcus, as galinhas não recebem qualquer alimento por sete a quatorze dias. A luz é diminuída para imitar as condições do inverno, estressando o corpo por antecipação da primavera. Muitas semanas após o choco forçado a produtividade volta aos níveis lucrativos normais. Mas o choco forçado tem um custo alto. Mata as aves mais fracas, e sem dúvida causa a todas, sofrimento – durante o choco elas perdem até 30% de seu peso corporal."
[9]

Dado que o valor comercial das galinhas "gastas" é baixíssimo, há produtores que sequer se dão ao trabalho de as vender para abatedouros. Nos Estados Unidos há produtores que as colocam simplesmente em contêineres e os enterram, sem antes matá-las. Em San Diego , Califórnia, um produtor foi denunciado porque os vizinhos o viram usando o triturador de madeira para triturar as galinhas "gastas" vivas. No inquérito, o produtor reconheceu ter praticado isso com 30 mil galinhas. O médico veterinário, Dr. Gregg Cutler, membro do comitê de bem-estar animal da American Veterinary Medical Association, embora tenha declarado não haver autorizado os produtores a usarem o triturador de madeira para dar fim às galinhas "gastas", afirmou concordar com tal método de extermínio. Há produtores que se livram das galinhas em lixões.
[10] Comer ovos, portanto, não é uma forma "mais ética" de cuidar de sua dieta. Por trás de um ovo estão todas as cenas descritas acima, e outras que não dá tempo para descrever aqui.

Mas, pode estar pensando quem é ovo-vegetariano, o que haveria de errado em comer ovos de galinhas criadas soltas nas fazendas de produção orgânica?

As galinhas produzidas nas fazendas orgânicas são irmãs dos pintainhos machos mortos no primeiro dia de vida. Analogamente ao que se passa com as galinhas confinadas em gaiolas para a postura de ovos, também as galinhas criadas soltas nas fazendas orgânicas são enviadas para o matadouro quando não põem ovos na quantidade suficiente para manter o negócios dos ovos rentável ao produtor. Se não forem mandadas para a morte, essas galinhas orgânicas podem viver até oito ou nove anos, ao contrário das que são abatidas ao fim do período de postura. Mas, para que suas vidas não implicassem dor e sofrimento, e para que suas mortes não fossem uma execução sumária, as galinhas criadas soltas deveriam receber cuidados médicos, ter espaço para viverem bem, seguindo os padrões do bem próprio da espécie galinácea, e alimentação nutritiva. Os custos desses três cuidados tornariam o ovo da galinha orgânica quatro vezes mais caro a unidade, segundo Marcus.
[11] Singer chega a referir-se a sete vezes mais caro o preço de um ovo de galinha orgânica, do que o de galinha confinada.[12]

Ao final da vida de uma galinácea usada para pôr ovos, teriam sido consumidos aproximadamente 500 Kg de grãos,
[13] o que tem seu equivalente em excrementos acumulados, contaminação do solo, das águas de superfície e do lençol freático, do ar e multiplicação dos microorganismos, bactérias e viruses fomentada com a densidade populacional galinácea. O espaço para manter vivas todas as galinhas que deixam de botar ovos de forma eficiente teria que ser também, pelo menos, quatro vezes maior do que o necessário para manter vivas as galinhas "ativas".

Cientes dos custos altíssimos que a produção orgânica e ética de ovos representa, os produtores não chegam a adotar o princípio ético da não-maleficência e da beneficência em relação à vida das galinhas usadas para a fabricação de ovos. Nos Estados Unidos, afirma Singer, não há produtores de ovos orgânicos genuínos. Lá, chegou-se apenas ao meio do caminho da abolição. O que se faz é aumentar o espaço das gaiolas, ou confinar as poedeiras em ambientes fechados mais amplos. Raras são as que podem ciscar fora do galpão nos meses da primavera.
[14] De qualquer modo, todas são enviadas à morte ao fim do ciclo produtivo. Comer ovos é, portanto, ser favorável à matança das galinhas que os põem.

Ao mesmo tempo em que parecem mais éticos do que os produtores de ovos que mantém as galinhas confinadas em gaiolas do tamanho da caixa de um sapato, os produtores orgânicos seguem os mesmos padrões capitalistas de produção, pois os consumidores de ovos de galinhas soltas não se incomodam com o fato de que as galinhas que põem ovos para eles são mortas como as demais ao final de seu ciclo de postura "eficiente". Comer ovos, portanto, não pode ser considerado mais ético do que comer carne ou seus derivados. Dor, sofrimento e morte compõem o cenário de cada ovo, apesar de sua aparência tão inocente e lisinha.

Por que não é inocente "comer" leite e laticínios?

Analogamente ao que ocorre com o consumo "inocente" de ovos, o consumo de leite e derivados também não deixa margem alguma para a "inocência" na escolha dietética. É bom lembrar, logo de início, que "todas" as vacas "leiteiras" são abatidas, sem dó nem piedade. O que as diferencia das condenadas ao "corte" não é que elas "pelo menos, podem viver", e sim que a vida dolorosa à qual são condenadas dura muito mais tempo do que a vida à qual são condenados os indivíduos destinados à indústria da "carne".

Grande parte das vacas produzidas para fornecer leite pode viver, pelo menos uma parte de suas vidas, ao ar livre, pastando. Mas isso não implica concluir que suas vidas são boas, ou que tomar o leite tirado delas não tem qualquer implicação ética relevante. As vacas que vivem em lugares muito quentes e secos são geralmente mantidas em confinamento, pois não há grama que as possa alimentar convenientemente. Nesse caso, elas são alimentadas mecanicamente por aparelhos que despejam ração e servem água. Não há para o animal qualquer chance de escolher o que vai comer. Quando confinadas em galpões, geralmente estes recebem um número muito maior do que o conveniente para garantir o bem-estar físico do animal e permitir que forme seu grupo social ou estabeleça a hierarquia social necessária ao seu bem-estar emocional. As vacas são presas por uma coleira e assim mantidas, com as cabeças próximas ao comedouro. Elas não têm liberdade de mover-se, trocar de lugar, escolher o melhor ângulo para receber a comida.

As vacas, escrevem Singer e Mason, "possuem intensa vida emocional. Elas formam laços de amizade com duas, três, quatro ou mais vacas e, se puderem, passam a maior parte do tempo juntas, muitas vezes lambendo e cuidando umas das outras. Por outro lado, elas também podem desenvolver antipatia por outras vacas e guardar ressentimento por meses ou até anos."
[15]

A vaca destinada à produção de leite vive grávida 9 de cada 12 meses. Em média, tiram-se 20 litros de leite por dia de cada uma dessas vacas. "Para aumentar ainda mais a produção do leite [escrevem Singer e Mason], [há produtores que] aplicam injeções, duas vezes por mês, de BST, ou somatotrofina bovina, um hormônio de crescimento geneticamente desenvolvido. O BST foi proibido no Canadá e na União Européia em função das preocupações com a saúde e o bem-estar das vacas leiteiras, mas é amplamente utilizado nos Estados Unidos. Ele aumenta a produção de leite em cerca de 10%, mas o local da injeção pode ficar inchado e sensível. O BST também pode aumentar problemas de mastite, uma infecção mamária dolorosa que aflige cerca de uma em cada seis vacas leiteiras.
[16] Os dois estresses acumulados e praticamente ininterruptos, gravidez e lactação, esgotam o metabolismo das vacas. Somente nos Estados Unidos são abatidas anualmente mais de um milhão de vacas em razão de sua fraqueza para continuar a produzir o leite ou manter mais uma gestação. Quem bebe leite, come iogurte e queijos, deve lembrar-se dessas mortes também, não apenas da morte da própria vaca que será abatida depois de ser explorada por dois ou três anos pela extração de seu leite. Somadas às mortes das mães, é preciso contar os 9% de bezerros que morrem antes do "desmame", por terem sido gestados em condições de extremo cansaço e fraqueza das mães. Essas mortes ocorrem no primeiro ou segundo dia do nascimento.[17]

Os bezerros, na indústria do leite, são amamentados apenas por dois dias, enquanto o leite é colostro.
[18] A finalidade para a qual nascem não é para que possam gozar suas vidas, mas causar o disparo hormonal no organismo de suas mães, que as leva à produção de leite. Nascidos, os bezerros que sobrevivem ao desmame no segundo dia de vida, quando acaba o colostro, ou são abatidos, ou enviados para a indústria da vitela, que os manterá num caixote sem luz solar, sem espaço para que possam pular, mover-se ou prover-se, e sem alimentação nutritiva, pois o objetivo é que sua carne fique pálida e macia, ao gosto dos comedores humanos.

Por isso, quem toma leite, come iogurte e queijo deve ter em mente a morte das vacas por exaustão, o abate delas quando não são mais eficientes na produção de leite, e a morte de todos os seus filhos, seja por fraqueza, seja após sua sobrevida nos caixotes escuros da indústria de vitela. Afirmar, portanto, que consumir leite não implica em "matar" ou "torturar" animais é uma impropriedade. Implica, sim. Se queremos ser éticos em nossa dieta, é preciso conhecer a realidade da produção de leite.

Cada vaca é usada para gestar, no mínimo, três vezes. Nove meses de gestação, três meses de pausa e nova inseminação artificial. Cada parto representa para a mãe a dor e o sofrimento de ver seu filho arrancado dela no primeiro, segundo ou terceiro dia de vida. Markus sugere que "o trauma causado por essas separações é uma razão pela qual algumas vacas acabam sendo mandadas para o matadouro mais cedo. Na maior parte dos casos, as vacas são levadas para o abate, ou porque ficaram doentes, ou porque a quantidade de leite caiu abaixo dos níveis tolerados pela margem de lucro dos produtores. Mas, em pelo menos 1% dos casos, as vacas são mortas por perderem sua doce disposição psicológica, por tornarem-se perigosas. Quando levadas para a ordenha mecânica, algumas dão coices nos trabalhadores que operam as máquinas de tirar leite. Uma vaca leiteira pode pesar meia tonelada, e seu coice pode ser mortal. As vacas que repetidamente tentam escoicear os trabalhadores são enviadas para a morte, pois são perigosas, não importando quanto leite produzem."
[19]

O tempo médio de vida de uma vaca, escrevem Singer e Mason, pode ser de até 20 anos, mas as destinadas a produzir leite vivem apenas de 5 a 7 anos. Elas são abatidas quando cai a produção do leite. Cada vez que dão à luz, passam pela mesma agonia de terem seus filhos levados embora nos três primeiros dias de vida. A mãe fareja os resíduos de sangue e placenta que lambeu do filhote, e muge por dias ou mesmo semanas. Muitas sofrem este luto a ponto de entrarem em depressão.
[20]

Além do sofrimento pelo qual passam as vacas leiteiras ao terem seus filhos tirados dela e ao terem que se submeter a uma nova gestação passados três meses após encerrada a anterior, o consumo de leite também responde pelo alto volume de poluição aérea nas regiões nas quais as vacas são criadas. Na digestão da dieta não natural à qual são forçadas para produzirem mais leite, seu sistema digestivo produz uma imensa quantidade de gás metano, responsável pelo aquecimento global.
[21] Os dejetos depositados a céu aberto são poluidores do ar, do solo e das águas, além de contaminarem o lençol freático da região leiteira. Tudo isso torna o consumo de leite anti-ético.

Por que não é inocente "comer" vitela?

A indústria da vitela é um subproduto da indústria do leite. Quem consome leite tem responsabilidade pela separação brutal de mães e filhos após o parto, produção, comercialização, confinamento, morte e consumo de bezerros usados pela indústria de vitela. Se não houvesse inseminação artificial para garantir a oferta de leite, não haveriam bezerros sofrendo por quatro a seis meses após o nascimento.

Segundo Singer e Mason, "os bezerros são separados da mãe logo após o nascimento, [...] mantidos anêmicos, não receb[em] alimentos fibrosos, não t[êm] possibilidade de exercitar-se e [são] mantidos em baias tão estreitas que não consegu[em] se virar." [EA, p. 2]. O bezerro destinado ao abate para fornecimento de "carne de vitela" vive apenas 16 semanas. Mas, este tempo tão curto de vida não representa para ele menor agonia. O animal é forçado a viver na semi-escuridão, numa baia tão estreita que ele jamais pode girar seu corpo. Além do mais, conforme o descrevem Singer e Mason, o bezerro fica amarrado pelo pescoço. Sem o afeto da mãe, e impedido de fazer vínculos com outros de sua espécie, o animal também não pode alimentar-se de forma específica. Recebe uma "mistura líquida de produtos de leite em pó, amido, gordura, açúcar, antibióticos e outros aditivos. Sua dieta é deliberadamente tão baixa em ferro que ele desenvolve uma anemia subclínica."
[22] Essa carne tem um tom rosado e é tão macia que pode ser cortada sem o uso de facas. Mas, para agradar à vista e ao palato do comedor humano, "o bezerro não terá acesso à palha ou feno para o leito – se tivesse, seu desejo natural por fibras e por ter algo para mastigar o induziria a comer a palha e o feno e, como eles contêm ferro, também isso alteraria a cor de sua carne. As baias de madeira e a corda no pescoço são parte do mesmo plano. Se a baia fosse de metal, ele a lamberia e, se pudesse se virar, lamberia a própria urina – novamente, para satisfazer sua necessidade de ferro."[23]


Ética para com os animais, o ambiente físico natural e para consigo mesmo

Ao abandonar a moral do comedor tradicional, o sujeito pode temer ameaçar seu bem próprio em nome do bem-estar dos animais e do planeta, este ameaçado, por sua vez, pelo consumo de carne, ovos e laticínios. O interesse próprio acaba por configurar um pseudo-dilema moral: como o que estou acostumado a comer, ou deixo de comer o de costume e busco nutrientes em outras fontes de origem apenas vegetal? Vou adoecer? Vou perder a força mental, a resistência física e a energia sexual? Vou gastar mais dinheiro com comida do que se comprasse alimentos de origem animal? Confrontado pela primeira vez com informações que não lhe permite mais manter a própria inocência em relação a seu padrão dietético, o comedor padronizado tradicional fica assombrado com tais questões.

Donna Maurer aponta duas formas complementares na argumentação antropocêntrica em favor do vegetarianismo: uma, enfatiza a autoridade de quem decide abolir o consumo de produtos de origem animal, e os princípios em nome dos quais os vegetarianos passam a viver: liberdade, escolha e não coerção, por um lado, e reprovação de ações injustas e discriminatórias, por outro. Outra, enfatiza os riscos e ameaças à saúde e bem-estar humanos, o equilíbrio ecológico e o suprimento adequado de comida.
[24] Mas, o vegetariano pode superar o antropocentrismo em sua argumentação e modo de comer.

Michael Allen Fox, por sua vez, lista argumentos que sustentam a decisão de tornar-se vegetariano, que vão desde a própria saúde até o aperfeiçoamento espiritual e religioso, a saber:
"1. Saúde
2. Sofrimento e morte dos animais
3. Preocupação moral imparcial e desinteressada
4. Preocupação ambiental
5. Manipulação da natureza
6. Fome mundial e injustiça social
7. Formas interconectadas de opressão
8. Compaixão e similitude entre espécies
9. Ahimsa ou não-violência universal
10. Argumentos espirituais e religiosos".
[25]

De qualquer modo, conforme Fox bem o reconhece, quase todos os argumentos estão fundados em uma nova concepção do estatuto moral de animais não-humanos na comunidade de sujeitos morais. "Da perspectiva moral [escreve Fox], isso implica que aqueles que desejam defender o consumo de carne devem demonstrar que não estão fazendo nada de errado ou são indiferentes ao sofrimento e dano, ou terão de concordar que tal sofrimento e danos devem ser mitigados ou eliminados de modo convincente. "
[26] Devido à dificuldade em argumentar em favor de qualquer dessas duas direções, temos um caso em que a responsabilidade pela argumentação cabe aos que defendem o consumo de carne, não o contrário. Mas, devido ao fato de que a maioria das pessoas não tem oportunidade de ouvir os argumentos contrários ao consumo de carne, os vegetarianos não podem se dar por satisfeitos e esperar o fracasso dos comedores de carne em justificar o que estão fazendo. Se há argumentos racionais convincentes que podem ajudar as pessoas a optarem pelo consumo exclusivo de alimentos de origem vegetal, os veganos não podem furtar-se à responsabilidade moral de apresentarem publicamente esses argumentos. Omitir-se não é a melhor estratégia, nem do ponto de vista político da necessidade que os animais ora têm de serem defendidos da agressão humana, nem do ponto de vista moral, considerando- se que a distinção entre animais humanos e não-humanos é justamente a liberdade para fazer e deixar de fazer o bem e o mal. Discutir publicamente os fundamentos da escolha vegana possibilita que os onívoros e os ovo-lacto-vegetarianos possam pensar um pouco a respeito de seus hábitos de consumo alimentar.

A grande barreira a ser derrubada na tradição moral alimentar é a que associa comer carne animal à evidência de superioridade humana. Seguindo a hipótese de Nick Fiddes, Michael Allen Fox admite: "Ao matar animais por causa de sua carne, tornamos sua subserviência e morte instrumental para nosso próprio desenvolvimento; nós reafirmamos nossa exigência de sermos a espécie dominante ao mesmo tempo em que satisfazemos nossa necessidade básica de comida. Pelo menos até certo ponto, também afirmamos o direito de exercer poder sobre a vida e a morte e de aniquilar o estranho outro."
[27]

Concluindo

Se levamos a sério os critérios que definem um princípio ético, não podemos admitir que o estilo de nossos hábitos de comedores implique em inflição de agonia e morte a bilhões de animais a cada ano. Matar só é admissível se for a única saída para salvar a própria vida. Banalizar a vida de seres de outras espécies, como se para cada um deles não fosse valioso estar vivo, é admitir que a própria vida possa ser banalizada por outros, que igualmente desdenham o valor que o fato de estar vivo possa ter para nós. A ética exige coerência entre o que se deseja que os outros respeitem, quando se trata de garantir nossa vida, integridade física, emocional e social, e o que devemos reciprocamente ao outro, ainda que esse outro não tenha o mesmo formato e aparência de um ser da nossa espécie. A imparcialidade, por um lado, não admite que tenhamos pesos e medidas diferentes para avaliar o que tem valor igual. Por outro lado, ela não admite que obtenhamos benefícios e vantagens pessoais às custas da dor, sofrimento e morte de outros. Não há nada mais anti-ético do que buscar o próprio prazer e bem-estar às custas do sacrifício do prazer e do bem-estar alheio. O que fazemos aos animais, quando comemos ou consumimos produtos fabricados a partir de seus organismos, não pode ser considerado ético. O princípio da não-maleficência nos proíbe de julgar éticas as ações que separam o benefício de uns, dos custos dolorosos que acabam sendo jogados sobre outros. O respeito à igualdade da condição de sermos todos os vivos vulneráveis à dor e à morte, à angústia e ao sofrimento, é a única saída para o aprimoramento de nosso sentido ético, especialmente à mesa.
Muito obrigado, pela honra do convite.

Referências bibliográficas

FOX, Michael Allen. Deep Vegetarianism. Philadelphia: Temple University Press, 1999.
MARCUS, Erik. Meat Market: Animals, Ethics & Money. Boston, Ma: Bio Press, 2005.
POLLAN, Michael. O Dilema do Onívoro: Uma história natural de quatro refeições. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.
POULAIN, Jean-Pierre. Sociologias da Alimentação. Florianópolis: Edufsc, 2006.
SINGER, Peter; MASON, Jim. A Ética da Alimentação: Como nossos hábitos alimentares influenciam o meio ambiente e o nosso bem-estar. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
Brasília, 16 de agosto de 2008
* Este trabalho é dedicado às organizadoras do IV Congresso Temático da SVB e aos seus participantes, realizado em 16 e 17 de agosto de 2008. Agradeço ao Engenheiro [vegano] Dr. Arno Bollmann a leitura atenta da versão preliminar deste texto, e as sugestões para que algumas passagens fossem escritas com mais clareza.
[1] POULAIN, Sociologias da Alimentação, 2002.
[2] FOX, Deep Vegetarianism, p. 144.
[3] FOX, Deep Vegetarianism, p. 149.
[4] Apud FOX, p. 55.
[5] Cf. Erik MARCUS, Meat Market: Animal, Ethics and Money, p. 16.
[6] Ibid., p. 17.
[7] Ibid., p. 18.
[8] Ibid., p. 19.
[9] Ibid., p. 21.
[10] SINGER, Peter; MASON, Jim. Á ética da alimentação, p. 115.
[11] MARCUS, MM, p. 49-50.
[12] SINGER; MASON, EA, p. 119.
[13] MARCUS, MM, p. 49.
[14] SINGER; MASON, EA, p. 118-119.
[15] SINGER; MASON, EA, p. 60.
[16] Ibid., p. 60-61.
[17] MARCUS, MM, p. 35.
[18] Ibid., p. 36.
[19] Ibid..
[20] Cf. SINGER; MASON, EA, p. 62 ss.
[21] Ibid., p. 65.
[22] Ibid., p. 63.
[23] Ibid., p. 63 e p. 295.
[24] Apud FOX, DV, p. 60.
[25] Ibid., p. 61.
[26] Ibid., p. 52.
[27] Ibid., p. 26.